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OCT fortalece produção agroecológica e organização social no Assentamento Dois Riachões

No território do Baixo Sul da Bahia, em Ibirapitanga, um conjunto de 30 famílias transformou a própria história a partir […]

18 de fevereiro de 2026

No território do Baixo Sul da Bahia, em Ibirapitanga, um conjunto de 30 famílias transformou a própria história a partir da terra. O Assentamento Dois Riachões, localizado no bioma Mata Atlântica, consolidou-se como referência na produção agroecológica e no cultivo de cacau de alta qualidade, associando geração de renda, conservação ambiental e organização comunitária.

“Somos um assentamento que desde o início trabalha com a matriz da agroecologia. Desenvolvemos a produção orgânica de alimentos. Temos projetos produtivos, meliponário, ovinocultura, piscicultura”, conta Luciano Ferreira da Silva, técnico em Agropecuária Sustentável e representante da comunidade.

A trajetória começou com a ocupação da área, em 2007, por agricultores ligados à Coordenação Estadual de Trabalhadores Assentados e Acampados (Ceta). A regularização da terra veio em 2018. Nesse intervalo, as famílias estruturaram uma produção que hoje reúne mais de 30 gêneros alimentícios entre grãos, hortaliças e frutas. Mas o destaque mesmo é o cacau e seus derivados, como polpa, mel de cacau, nibs e chocolate fino.

Dois Riachões, inclusive, tornou-se a primeira área da Bahia a conquistar a Certificação Orgânica Participativa pela Rede Povos da Mata e já obteve a emissão dos selos do Sistema Orgânico de Produção (Orgânico Brasil), o que ampliou o acesso a mercados diferenciados e garantiu melhor valorização do produto.

“Ninguém consegue hoje um preço de cacau melhor do que Dois Riachões, por conta da qualidade e pela certificação orgânica”, afirma Eduardo Mamédio, coordenador de projetos da Organização de Conservação da Terra (OCT).

Parceria que gera impacto

Desde 2016, Dois Riachões é assistida pela OCT, ONG parceira da Fundação Norberto Odebrecht (FNO) na execução do Programa de Desenvolvimento e Crescimento Integrado com Sustentabilidade (PDCIS).

“A OCT atua aqui em duas frentes: a ambiental, com a restauração das Áreas de Preservação Permanente (APP), onde plantamos 8 mil espécies nativas e recuperamos quatro hectares de áreas degradadas; e a produtiva, acompanhando a certificação orgânica participativa, com assistência técnica contínua aos agricultores”, explica Luciano.

A presença técnica da ONG não se limita à orientação produtiva. Inclui apoio na organização documental para certificação, capacitação de jovens em gestão de propriedades rurais e soluções para o saneamento básico, práticas do programa social da Fundação. A fossa séptica ecológica, por exemplo, foi uma tecnologia levada para o assentamento, com equipamentos adquiridos pelo município e instalação realizada pela OCT, substituindo estruturas antigas que contaminavam o solo.

“A OCT trouxe conhecimento para gente. Hoje sabemos que, quando você contamina o solo, pode causar muitas doenças e atingir seu alimento”, relata o agricultor Edvaldo Neves dos Santos. “Minha vida era só produzir, produzir, produzir. A gente desmatava aqui, tirava árvores. Quando a OCT chegou, mostrou para a gente não só como produzir, mas conviver em harmonia com a natureza, com os animais. Isso fortaleceu muito a gente”, diz.

Para Wanderson Oliveira, técnico da OCT, o processo sempre foi construído com diálogo: “a gente chega para somar, para contribuir, para orientar no que os agricultores necessitam.  Existe uma troca. Aprendemos com eles enquanto levamos inovação para melhorar a produtividade de seus cultivos e a qualidade de vida.”

Conservação que gera renda

No Sul da Bahia, o cultivo do cacau feito por pequenos agricultores em sistema agroflorestal, sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica, é conhecido como cabruca, e contribui para a proteção da biodiversidade, conservação dos recursos hídricos e estocagem de carbono. Como uma recompensação pelo papel dos produtores na preservação do meio ambiente, o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) é feito como parte estratégica do desenvolvimento local.

E foi em Dois Riachões que a OCT, conjuntamente a Prefeitura de Ibirapitanga, apoiou a implementação de um projeto pioneiro no Brasil: o de PSA destinado à pessoa jurídica, em face ao pagamento anteriormente feito apenas a pessoas físicas. “O programa de PSA é do município, mas nós entramos com todo o apoio técnico para que a comunidade tivesse esse acesso. Realizamos levantamentos e auxiliamos na elaboração dos documentos junto ao poder público”, explica Eduardo Mamédio.

Ao longo de mais de uma década de acompanhamento da ONG, Dois Riachões consolidou-se como referência para outras comunidades da reforma agrária. A qualidade do cacau, aliada à certificação orgânica, à organização social e ao cuidado com a floresta, transformou o assentamento em exemplo de que é possível produzir, preservar e prosperar no campo.

“A comunidade mudou muito nos últimos dez anos. As famílias melhoraram de vida, a estrutura evoluiu. É realmente impressionante o trabalho que eles desenvolvem”, finaliza Mamédio.

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