Edição 130 – Aprendizes produtivos
Jovens da Casa Familiar do Mar praticam na comunidade o que aprenderam em aulas teóricas, com o apoio técnico da Coopemar.
1 de maio de 2007
Jovens da Casa Familiar do Mar praticam na comunidade o que aprenderam em aulas teóricas, com o apoio técnico da Coopemar.
1 de maio de 2007
Texto: Vivian Babosa
Fotos: Almir Bindilatti
Mesmo nas semanas em que não estão em regime de internato na Casa Familiar do Mar (CFM), os irmãos Adonias e Adenilza Oliveira não param. Além de cuidar da horta que começaram a cultivar no quintal de casa, em Torrinhas, no município de Cairu, Baixo Sul da Bahia, eles participam de projetos de formação técnica e profissional na comunidade. Fazem isso com apoio dos monitores da CFM e de técnicos da Cooperativa Mista de Marisqueiros, Pescadores e Aqüicultores do Baixo Sul da Bahia (Coopemar).
A Casa Familiar do Mar forma jovens empresários aqüícolas como Adonias e Adenilza. A Coopemar, que lidera a Cadeia Produtiva da Aqüicultura, acompanha o desenvolvimento deles, emprestando tanques-redes para aulas de capacitação e oferecendo apoio técnico. Todas essas iniciativas são implementadas no âmbito do DIS Baixo Sul – Programa de Desenvolvimento Integrado e Sustentável, apoiado pela Fundação Odebrecht, e estão dando bons exemplos de união e sinergia para o desenvolvimento da região.
“Passamos uma semana tendo aulas teóricas e duas semanas na comunidade, envolvidos com projetos de horticultura, artesanato e piscicultura”, conta Adonias. “Nas aulas sobre criação de peixes, os jovens aprendem o mesmo que é passado aos cooperados. Fica mais fácil entender a rotina e o trabalho deles”, acrescenta.
Técnico da Coopemar e Presidente da CFM, Fábio Nepomuceno explica que essa é uma forma de aproximar os jovens da cooperativa para que, no futuro, eles a integrem de forma mais consciente. “Oferecemos assistência e orientação sobre o cultivo da tilápia. Ensinamos a montagem de tanques, cálculo da ração, despesca e prestação de contas. Queremos que eles trabalhem da forma correta e obtenham maior produtividade.”
Enquanto, na prática, esses jovens também aprendem a trabalhar com meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão) e criação de ostras, na teoria eles estudam os conceitos de cooperativismo e associativismo, com o apoio do Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Baixo Sul (Ides), e também estudam a atuação dos conselhos municipais. Recebem ainda orientação do Instituto Direito e Cidadania, projeto que contribui para o desenvolvimento do capital social no Baixo Sul da Bahia.
De forma igualmente integrada, jovens e monitores das Casas Familiares do Mar e Agroflorestal estão trabalhando para a obtenção de novas tecnologias de produção. Com o apoio da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e da Associação Baiana de Aqüicultura, pesquisas sobre a criação de ostras estão sendo desenvolvidas.
“Hoje, a Coopemar trabalha em larga escala apenas com a tilápia. Com os estudos, queremos mostrar que é viável economicamente a produção de ostras, transferindo a tecnologia para a cooperativa”, afirma Helen Janata, oceanógrafa e monitora da CFM. “Buscamos alternativas de produção, servindo como centro gerador de pesquisa para a Coopemar que, por sua vez, buscará os resultados financeiros e se fortalecerá para receber os jovens no futuro.”
O Presidente da Coopemar, Luciano Freitas, enfatiza que os jovens são o foco da cooperativa. “Eles nasceram e se criaram aqui e estavam acostumados a ver os pais pescarem para colocar o que comer na mesa. Sabemos que o extrativismo não é mais possível”, salienta. Luciano conta que o pescado diminuiu e aponta a implantação de novas tecnologias como solução para se obter outras formas de geração de trabalho e renda. “E é essa juventude, mais ativa e consciente, que trará isso.”
Aprendendo a compartilhar
Em algumas semanas, Adonias e Adenilza farão as primeiras colheitas em sua horta. Eles plantaram beterraba, alface, coentro, couve, pimenta, quiabo e cebolinha, que serão usados para consumo próprio. No processo de aprendizado, uma lição importante é a de compartilhar os conhecimentos. “Hoje entendemos que é necessário passar o que aprendemos não só para nossos pais, mas para as pessoas da região”, diz Adenilza. Ela explica que essa prática na comunidade confere credibilidade à CFM: “Nossos pais achavam que esse projeto era mais uma forma de nos iludir. Hoje, eles entendem sua real importância”.
Na família do cooperado Luiz Bonfim, essa consciência também está presente. Integrado à Coopemar, Luiz é casado com Maria de Fátima e pai de Luis Paulo, conselheira e jovem da CFM, respectivamente. Comprometidos com as ações desenvolvidas, eles reconhecem as melhorias já alcançadas e contribuem para avanços. “Procuro entender profundamente o projeto para poder indicar os caminhos certos. Assim, tenho mais condições de mostrar o que é melhor para minha comunidade”, argumenta Maria de Fátima.
“Estou aprendendo muito”, revela, contente, Luis Paulo. Ele conta que sempre busca partilhar com sua família e a comunidade o que é aprendido na teoria e aplicado na prática. “Gostaria que essa troca entre Casa Familiar do Mar e Cooperativa fosse cada vez mais forte. Entendo o quanto isso pode ajudar os jovens e acredito que, mais engajados, poderemos nos assumir como donos do nosso próprio destino.”
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