Comunicação

08h00

Marketing digital no campo

Jovens agricultores estão usando as redes sociais para criar marcas próprias e potencializar a comercialização de seus produtos

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Wandyla usa as redes sociais para mostrar seus produtos

Há nove meses, a jovem Wandyla Teles, 18, utiliza um perfil no Instagram para divulgar os cultivos que produz ao lado da família em Presidente Tancredo Neves, no Baixo Sul da Bahia. Recentemente formada pela Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves (CFR-PTN), uma das escolas parceiras da Fundação Odebrecht na região, a jovem conta que a pandemia da Covid-19 impulsionou sua presença nas redes sociais. “Devido ao isolamento social, vi a necessidade de divulgar o que faço com o intuito de aumentar a comercialização e o reconhecimento dos meus produtos”, conta.

Com a marca Verde Naturais (@verde_naturais), Wandyla pretende mais do que vender suas hortaliças, mas também conscientizar o público sobre a importância de uma alimentação saudável. “Almejo o reconhecimento não em relação à quantidade de seguidores ou curtidas, mas sim de um produto de qualidade, sem a utilização de agrotóxicos, visando uma relação de confiança entre o produtor comerciante e os consumidores”, conta.

Wandyla faz parte do número crescente de pessoas que estão inseridas nas redes sociais. De acordo com o estudo The Global State of Digital in 2019, elaborado pela Hootsuite e We Are Social, cerca de 3,484 bilhões de usuários estão presentes nessas plataformas, representando 45% da população mundial. 

Daniel usa o Instagram para divulgar os produtos que cultiva no campo

Quem também faz parte desse contexto é Daniel de Jesus. Aluno da Casa Familiar Agroflorestal (CFAF), parceira da Fundação, ele criou um perfil para comercializar as hortaliças que produz por meio da hidroponia, modo de cultivo que não utiliza o solo. Motivado por um tio, ele abriu uma conta no Instagram (@sitiopordosolprodutos) para fazer a divulgação dos seus produtos. “As pessoas vêm tirando bastante dúvidas sobre meu trabalho, pedem vídeos da minha estufa e querem saber como tudo funciona. A experiência está sendo ótima. Para o pequeno agricultor, que trabalha com sua família, indico que as pessoas usem a rede social ao seu favor, divulgando seus produtos. Sem o trabalho que desenvolvemos com agricultura na zona rural, as pessoas da cidade não comeriam um produto de qualidade. A tecnologia já chegou no campo e temos que usar isso ao nosso favor também”, reforça o estudante.

Inovação e tecnologia

Junto às suas instituições parceiras, a Fundação Odebrecht trabalha por meio do seu programa social, o PDCIS, com seis frentes de atuação integradas que visam o combate à pobreza e desigualdade. Uma delas é justamente inovação e tecnologia, que prevê o fomento à novas formas de produção e comercialização. Rita Cardoso, diretora da CFAF, comenta que a escola sempre incentiva que os jovens busquem por novos meios de desenvolvimento econômico. “Hoje em dia, o grande segredo de você empreender é mostrar o que faz. A mídia social é importantíssima para isso. Nós, como escola, nos preocupamos muito em fazer com que o aluno aprenda e se desenvolva”, afirma Rita.

A presença de jovens agricultores nas mídias, divulgando e comercializando sua produção agrícola, evidencia a quebra de barreiras proporcionada pela internet. É o que reforça Maria Brasil, especialista em marcas e branding. “Essas redes hoje estão acessíveis a baixíssimo custo para qualquer pessoa. Percebemos que está cada vez mais fácil para que sobretudo jovens consigam também expor seus produtos e serviços através delas. Mercados como o agro, o informal dos pequenos produtores, está começando a fazer parte dessas redes. A democratização é real e a gente percebe a força que isso tem sobre como vamos transformar o mercado não apenas dando acesso aos jovens produtores, mas também para que o mercado possa passar a consumir deles”, pontua.

Railan conta cada vez mais com o apoio da comunidade

Apoio da comunidade

Para além de conquistar novos clientes, os adolescentes beneficiários do PDCIS também fortalecem laços com suas comunidades, que passam a apoiar ainda mais os jovens empreendedores. É o caso de Railan Ferreira, 17, que acabou de se formar pela Casa Familiar Rural de Igrapiúna (CFR-I). Ele fez um perfil no Instagram (@choco_quilombar) para divulgar fotos dos chocolates que passou a produzir na escola a partir do cacau que planta.

Railan mora em uma comunidade quilombola no município de Camamu. Ele conta que os próprios moradores da região estão organizando as formas de comercialização e “Quilombar” é um plano de toda a comunidade. “É uma marca para cocadas, chocolates e tudo que é feito pelos moradores. Eles me apoiaram muito. Estamos inclusive com o projeto de uma cozinha para eu começar a produzir chocolate aqui”, diz.

Quem também tem o apoio da sua comunidade é Feliciano Neto, 25, formado em 2013 pela CFR-PTN. Hoje, ele mora na cidade de Paragominas, no Pará. Lá, continua cultivando produtos da agricultura familiar e utiliza as redes sociais ativamente. “A comunidade acompanha o meu trabalho pela internet. Hoje, entendo que as redes são o mecanismo mais próximo para levar seu produto para dentro da casa dos clientes, porque as vendas começam a partir do momento que eles visualizam o material. As redes sociais hoje se tornaram uma ferramenta mais prática para atingir mais vendas”, conta.  

Feliciano já passou dos 800 inscritos em seu canal no YouTube

Além do Instagram, Facebook e WhatsApp, Feliciano inovou e criou seu canal no YouTube, que já tem mais de 800 inscritos. “Grande parte deles são meus clientes. Eu criei esse canal para incentivar a agricultura familiar sustentável e o comércio de frutas aqui na região”.

Exemplos como os de Wandyla, Daniel, Railan e Feliciano mostram novas formas de visibilidade ao trabalho de jovens agricultores. Para a zootecnista Daniela Cotrim, utilizar as plataformas digitais para divulgar o que é produzido na zona rural é uma tendência. “O jovem do campo tem toda a capacidade de empreender e inovar. O acesso a capacitação, graças as escolas técnicas, a extensão rural das universidades, e cursos promovidos reforçam esse cenário, demonstrando que não é preciso mais migrar para os centros urbanos para se realizar como profissional. Esse público pode, por meio das redes sociais, fortalecer vínculos e enaltecer sua história e trabalho familiar. A tecnologia faz parte da sociedade como um todo, e isso inclui a vida na zona rural”, salienta.
 

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